Ao
Visconde de Sabugal
Querido amigo,
Terminou por aqui a época de caça. Este ano sairam muitos jesualdos do mato. Sabe que correm pouco e não se vêem bem ao longe. Triste notícia a de que o criador de jesualdos vai ser suspenso por dois anos. Dizem que se atirou à mulher do caseiro.
Atirámos fartamente também sobre jovens crias do Bento, esse rapaz que nos vem ajudar quando vamos a Espanha trocar azeitona por bolota. São tão pequeninos que mal se miram. Mas mesmo assim enchemos um bornal com os pequenitos, embora os jesualdos sejam mais, em número de vinte, às crias de Bento.
Apareceram também umas aves nortenhas, branquinhas, os cajudas, que saltavam das árvores amiúde e de quem aproveitámos a carne. Para o ano, parece, haverá menos. Mas saborosos, digo-lhe.
A decepção vai para a águia. Nem uma para amostra. Deixou-nos triste, porque começa a ser dolorosa a espera. Talvez para o ano apareça alguma.
Meu bom e estimado amigo, para o ano cá estaremos. Conto, ainda assim, consigo, para a patuscada que faremos em breve com paladares da Áustria e Suíça. Eu desconfio da bondade da coisa, mas o nosso Felipe anda convencendo os convivas que o festim será satisfatório. Traga a sua mulher, que muito estimo mas com quem nunca privei.
Seu,
H. Loureiro, conde
Leave a Comment