Muitos crentes católicos portugueses e internacionais da UE e arredores deslocaram-se a pé nos últimos dias a Fátima, no concelho de Ourém, para demonstrar a sua fé na Virgem Maria e nas aparições que ocorreram no local segundo a doutrina da Igreja Católica Apostólica Romana em 1917.
O passeio a pé, nem sempre livre dos perigos das modernas estradas da velha Lusitânia, é a sua grande demonstração de fé.
Mas será que é assim tão grande a crença dos peregrinos que afluem a esta paragem?
Fossem eles crentes em Maomé e dir-se-ia, que para demonstrar a Deus ( Alah, em língua estrangeira) a sua verdadeira crença, teriam que fazer mover montanhas só por força da fé, o que não habilitaria nenhum crente a uma colocação nos altos quadros de qualquer empresa de construção civil.
Ora, como não se trata aqui de crentes muçulmanos, a verdadeira força da fé cristã, deveria ser demonstrada movendo coisa mais pequena, mas não menos digna de uma boa parábola. O verdadeiro católico, aquele que de facto pela penitência pretende demonstrar obediência ao omnipotente e a convicção nos milagres da Cova da Íria, deveria deslocar-se ao local não a pé, coisa que qualquer turista ou qualquer candidato aos recordes do
Guiness Book conseguem fazer por motivos bem menos enobrecedores, mas sim de eléctrico.
A peregrinação a Fátima feita de carro eléctrico, teria para qualquer religião ou forma de apropriação do sagrado um efeito muito maior de sublimação da fé de quem a protagonizasse. Para além do vulgar passeiozito feito em cima das canetas, acessível a qualquer um, o verdadeiro crente teria que contornar a mundana situação que a inexistência de linhas de eléctricos para a pacífica freguesia acarreta, acrescentando à caminhada o
handicap de ter que fazer mover as toneladas de metal, madeira e plásticos de que se fazem os ditos engenhos, pelos caminhos da fé.
Pum Pum
Leave a Comment