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Primeiro-ministro pondera aplicar em Portugal taxa «Robin dos Bosques», dizem as notícias.

O quê?

Além do governo ganhar rodos de dinheiro com a gasolina que a malta mete nos tanques todos os dias, diz que vai agora taxar ainda mais "os lucros" das companhias de petróleo. E aplicar esse dinheiro em "apoio social".

Que baboseira é esta? Apoio social a quem? Aos automobilistas? Aos camionistas? Que apoio social é esse? Parece aquela mirabolante invenção de que as taxas do tabaco servem para curar o cancro do pulmão. Então estes tipos preparam-se para, já não bastava os que havia, espetar com mais um imposto sobre a gasolina? Quem é que eles pensam que vai pagar o imposto? A Galp? Ou esta jogada não é mais do que uma maneira de as petrolíferas subirem o preço.

- Ó Fernandes, o governo gama-nos aqui 10 euros em cada tanque com o imposto Robin dos Bosques, você mande lá subir o pitról uns 15 euros por tanque, para que a gente possa pagar o imposto e ainda ganhar uns tustos,

dirá, tranquilo, o presidente da Repsol.

Mas estes gajos são burros ou pensam que nós é que somos burros? Mais um imposto em cima das gasolineiras, depois do ISP, do IVA, do IRC? O IRB?

Mas alguém pode explicar o que era o conceito Robin dos Bosques ao Zé de Sousa?

Safa. Basta imbecilidade.



Esta notícia, que passou nos intervalos da chuva, diz que as provas de matemática tiveram uma percentagem de notas positivas para 90 por cento dos alunos.

Peralá.

Já aqui: "De acordo com dados divulgados pelo Ministério da Educação (ME), 18,3% dos alunos obtiveram negativa na prova de aferição de Matemática do 6.º ano, enquanto que no ano passado este valor se situou nos 41%."

A ver se nos entendemos. Em UM ANO, os alunos portugueses passaram de 41 por cento de negativas para 18? Das duas, uma: ou o exame era assim:

"Diga, respondendo 2, quanto é um mais um"

ou estamos perigosamente perto de um golpe palaciano nas avaliações, estilo o que Cavaco fez aos nascidos em 1973. Lembram-se? A gente recorda.

Em 1991 os jovens mancebos apareceram nas listas como "reserva territorial", mesmo antes de ir às sortes. Havia eleições...


Oscar, Pá

OSCAR

Alô Londres, pá. Aqui Óscar, pá.

LONDRES

Alô Óscar, escuto.

OSCAR

Epá, andam aí uns zun-zunzs de que as nossas comunicações, pá, estas, pá, tás a ver, podem estar, pá, a ser escutadas. Escuto, pá.

LONDRES

Recebido. Vamos tomar cuidado.E já agora, bem que podias deixar de dizer pá, porque só há um capitão em Portugal que diz tanto pá como tu e se a PIDE estivesse a ouvir deixa lá que já te tinha topado. Escuto.

OSCAR

Epá, e se fosses para, pá, para a puta, pá, para a pu

(vários elementos da PIDE entram de repente e prendem Otelo, que está todo nú em cima de Julie Sargent)


Durante mais de seis horas, aqui da janela, vi centenas largas de lisboetas secarem uma bomba de gasolina, numa corrida ao petróleo como se Espanha tivesse invadido o Pais e amanhã Sines fosse tomada por uns tipos de Gijon. O tuga não reage ao facto, reage ao alarme. As bombas estão vazias mas, decerto, há centenas de carros com tanques cheios que só vão gastar esse combustível daqui a duas semanas.

Ora, sejamos lógicos: se daqui a duas semanas não houvesse pinga de Sem Chumbo e de Gasóleo nos postos de combustível - e já ninguém regateia o 1,5 que custa o litro -, então teriamos de ser nós a sair em fila e às centenas mas direitinhos a S. Bento, não à Repsol, e extrair o que há ainda de razoável no Governo.

Isto é: os tipos indigitados pelo Partido Socialista, votado por 2 588 312 de portugueses para assumir o poder, têm de resolver problemas e explicar à malta porque estão a empatar.

Os 2 588 312 que confiaram em José Sócrates e no seu PS devem exigir a estes socialistas que nunca lhes passe pela cabeça deixar o País sem pão, fruta, peixe, carne, gasolina, tabaco e vinho. Estes 2 588 312 de portugueses, que têm tanta culpa do estado das coisas como o engº José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa, devem eles sim sair à rua e esgotar não a gasolina mas a capacidade de protesto contra aqueles em quem confiaram e que os trairam.  É que o Scolari nunca prometeu nada, não foi votado por 2.588.312 de portugueses e, agora, vai para o Chelsea com o dever cumprido: levou-nos a uma meia-final, a uma final e está a caminho de outro sucesso, comedido ou total.

Agora o sr. engº José de Sousa prometeu uma batelada de coisas (150 mil empregos, anulação do código laboral do Bagão Félix, Plano Tecnológico, etc.) e os 2.588.312 de portugueses que nele confiaram devem, pelo menos, pensar se ele cumpriu. E se, sendo indicado pelo PS, em que votaram, para ser PM, o sabe ser.

Era muito importante fixar isto: 2 588 312 portugueses são responsáveis pelo que passam os restantes 10 617 575 (portugueses e estrangeiros que cá vivem). Isto é, um quinto da população residente é responsável pelo que passa os outros quatro quintos.

Ora, ainda acha que a abstenção é opção? Isto é, ainda acha que, no meio desta crise filha da puta, com o petróleo a cento e croa, os cereais a subir, 200 mil pessoas na rua a protestar, camionistas passados a abrandar o País, lei laboral revista para pior, o Alegre no comício do Bloco, descida da natalidade - e da sua reforma... AInda acha que deve entregar outra vez o seu voto aos 2 588 312 que decidiram por si em 2005?

Ou aos cento e tal que chuparam aqui as bombas do Areeiro e das Olaias anda hoje, mesmo sem precisar de gasolina?

Hum?

2 588 312?

Hum?



«No dia da Raça e de Camões exaltava-se a Nação e o Império, a Metrópole e as Colónias.»


O regime de Salazar deu um outro significado ao Dia de Camões, uma data que passou a servir a propaganda do Estado Novo.


Mas então os senhores não se lembram que ele nunca tem dúvidas e raramente se engana?


Parece que o senhor Presidente da República de Portugal esqueceu-se de dizer "cultura" e disse "raça".

Raça é uma palavra maldita, porque os brancos gostavam de dançar e tocar como os negros e não sabem.

Raça é uma palavra maldita porque os brancos queriam ter a gargalhada sonora dos negros e não conseguem - sai-lhes um som que parece uma porta a chiar. Raça é uma palavra maldita porque os branquelas não conseguem envelhecer como os negros nem os chineses.

Raça é uma palavra maldita porque os branquelas queriam dançar o samba como a multata e só sai uma espécie de desequilibrio entre o fandango e o malhão. Raça? Nem pensar! Nós não somos crescidos para aceitar que somos da raça que menos sexo tem, que menos alegria tem, que menos aguenta o trabalho e, por isso, demos cabo do conceito saudável de raça. Isto é, ter raça, ter força para fazer algo.

Só um demente do BE ou do PCP (que os há), pensam que pode existir uma raça portuguesa. Deve ser cá um caldinho de mouros e visigodos, de celtas e sarraçenos que deve meter medo ao ADN. O que deve existir, e devíamos ter orgulho nisso, é uma identidade dos tipos que decidiram falar galaico-português, ter medo de guerrear mas mesmo assim vencer batalhas e, acima de tudo, terem misturado-se com tantos e tantas que deram cabo da raça.

Portugal é um País de rafeiros, com o orgulho enorme em ser um País de rafeiros: espertalhões, rápidos, mal habituados, mimados, carinhosos, burlões, chantagistas, fadistas e heróis sem história comprovável.

Tenham um bom dia tuga. Lá vai hino: