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Perceberam os sauditas, agora?

O atentado não era só este.


A ideia de que o casamento deve ainda ser regulado pelo Estado está serôdia.

Senão vejamos: a essência da regulamentação apenas serve para quando há desacato: existe assim uma letra contratual entre as partes para decidir sobre os móveis, a casa e, finalmente, os filhos. Sobre o casamento em si, nada. O Estado ainda inventou cinco deveres que dois cidadão que demonstrem vontade de casar devem cumprir. FYI, ei-los:

  • Dever de Respeito: respeitar o outro cônjuge é não lesar a sua integridade física ou moral, o seu bom nome, dignidade, honra, etc;
  • Dever de Fidelidade: dedicação exclusiva e sincera. Envolve a proibição de qualquer dos cônjuges ter relações sexuais com terceiro (adultério);
  • Dever de Coabitação: obrigação que os cônjuges têm de viver em comum, sob o mesmo tecto e também de manterem relações sexuais. Traduz-se na comunhão de mesa, leito e habitação;
  • Dever de Cooperação: obrigação de socorro e auxílio mútuos e a de assumirem em conjunto as responsabilidades inerentes à vida da família que fundaram;
  • Dever de Assistência: obrigação de prestar alimentos e de contribuir para os encargos da vida familiar que incumbe a ambos os cônjuges, de harmonia com as possibilidades de cada um.
  • Ora, todos estes direitos nascem de uma noção clara de culpa e faz com que o Estado se imiscua na vida privada de cada um. O dever de respeito não deve ser regulado num casamento. Deve ser regulado na sociedade entre cidadãos. Todos devem respeito a todos. Por isso, este dever é desnecessário por estar já consagrado na constituição.
  • O dever de fidelidade é uma clara herança religiosa. A fidelidade, aliás, deveria ser substituída pela lealdade. E a lealdade devida de cada cidadão sobre si mesmo. O Estado não pode obrigar ninguém a amar eternamente outra pessoa. Não pode, nem deve. Os cidadãos de um estado livre devem poder amar quem querem. Resultado: a fidelidade não é um princípio, é um ponto de chegada. E só depois de muita vida em comum é que se perceberá se houve ou não dedicação exclusiva. Mas os tribunais não julgarão a paixoneta eterna que Jorge teve pela vizinha, toda a vida, sem que tenha havido qualquer tipo de relação sexual entre eles. Este direito é, por isso, inapreciável. Logo, dispensável em si mesmo.
  • O direito de coabitação é forçado, uma vez que se o companheiro for parar ao quadro de supranumerários e destacado para a Guarda, a coabitação vai-se no momento em que se tentam equilibrar finanças. Em qualquer profissão liberar, de médicos a agentes de autoridade ou académicos, a coabitação tem nuances interessantes: que coabitação resta a um casal que trabalha por turnos? Resultado: a coabitação deve ser uma possibilidade, uma vontade, não uma obrigação legal. Não faz sentido alguém pedir um divórcio só porque o marido foi colocado como obstetra num Hospital a 300 quilómetros. Ou porque o marido não vê a mulher porque esta é assistente de bordo.
  • Os direitos de cooperação e assistencia são, basicamente, o mesmo - o dever de solidariedade, de amizade com a outra pessoa. Ora, se duas pessoas se juntam porque se apaixonaram, porque se amam, não haverá duvidas de que a cooperação e assistência estão asseguradas. E a cooperação e assistência devem, como o respeito, existir em todas as relações sociais.
  • No fundo, o Estado substituiu-se às confissoes religiosas e assumiu um sacramento de forma laica.
  • É necessária a regulação de bens e dos destinos das crianças. Mas nem a primeira nem  segunda lei estão feitas com razoabilidade. Os bens normalmente têm donos falsos ou dão azo a discussões imbecis, e a lei para os menores é feita a pensar nos adultos, não nas crianças.
  • Em resumo, o Estado devia rever o seu papel de abelhudo no casamento. Pura e simplesmente, devia retirar-se do casamento, deixar isso para os sacralizantes movimentos católicos, protestantes, etc, e remeter-se à sua obrigação. Ninguém ama por decreto por muito que se balizem os cinco sentimentos (deveres) fundamentais de quem casa.
  • O casamento religioso, esse sim, apesar de na sociedade moderna valer pela festa e pelo rito, deve ganhar força. Casar perante Deus, ou Deuses. Faz sentido se se tem fé. De resto, se eu quiser viver a minha vida inteira com um apara-lápis e com ele casar-me e se, no Chiado, abrir uma igreja que me permita casar (simbolicamente, como todos os casamentos, claro), com o apara-lápis, devo ser livre de o fazer.
  • O Estado deve regular direitos e deveres dos cidadãos. Não dos cidadãos apaixonados. Não faz sentido. Fica a proposta: acabe-se com o casamento civil, floresçam os casamentos rituais. E ponha-se fim a essa conversa sem sentido dos casamentos entre homossexuais, etc. Está velha, é conservadora e anacrónica.


Um imebcilóide trepou para cima do camião. O Guarda foi atrás e bateu-lhe por baixo das solas, para o fazer largar o posto de trabalho de outro civil.

O guarda fez bem. Quem dera ao Cavaco ter tido Guardas destes quando o Ferreira do Amaral e o Dias Loureiro mandaram avançar a cavalaria contra o povo que estava na ponte 25 de Abril.

Este guarda tem um valor para Sócrates que nem ele imagina. Foi o único que, sob pressão, no meio da turba, soube travar, pensar, resolver o problema e seguir em frente.

Isto, é de homem.

O energumeno depois veio cá para baixo e disse assim ao guarda:

"- Você se é homem meta-se à civil e ponha-se aqui comigo". Esta frase é reveladora da solidão daquele pequeno neurónio do energúmeno a que o guarda que todos os Cavacos gostariam de ter deu a volta, sente.

Estimava o animal que o nosso guarda com T-Shirt, jeans e ténis era um franganote, passava a ter um metro e dez, crescia-lhe um par de mamas e um rabo apetitoso e, ainda por cima, ficava ainda mais feio, parecido com a Vanessa Fernandes.

Ora, como é que eu sei que este guarda vai ser condecorado? Porque ao lado dele estava um agente do SIS. Só pode ser.

Ninguém se veste com tanta pátria como o homem de cabeleira ao lado do Guarda.

Sô Guarda, esteja descansado, que os votos que a sua calma e experiência valeram esta madrugada ao PS hão-de ser retribuídos. Ou não seja o Primeiro um engenheiro.


Durante mais de seis horas, aqui da janela, vi centenas largas de lisboetas secarem uma bomba de gasolina, numa corrida ao petróleo como se Espanha tivesse invadido o Pais e amanhã Sines fosse tomada por uns tipos de Gijon. O tuga não reage ao facto, reage ao alarme. As bombas estão vazias mas, decerto, há centenas de carros com tanques cheios que só vão gastar esse combustível daqui a duas semanas.

Ora, sejamos lógicos: se daqui a duas semanas não houvesse pinga de Sem Chumbo e de Gasóleo nos postos de combustível - e já ninguém regateia o 1,5 que custa o litro -, então teriamos de ser nós a sair em fila e às centenas mas direitinhos a S. Bento, não à Repsol, e extrair o que há ainda de razoável no Governo.

Isto é: os tipos indigitados pelo Partido Socialista, votado por 2 588 312 de portugueses para assumir o poder, têm de resolver problemas e explicar à malta porque estão a empatar.

Os 2 588 312 que confiaram em José Sócrates e no seu PS devem exigir a estes socialistas que nunca lhes passe pela cabeça deixar o País sem pão, fruta, peixe, carne, gasolina, tabaco e vinho. Estes 2 588 312 de portugueses, que têm tanta culpa do estado das coisas como o engº José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa, devem eles sim sair à rua e esgotar não a gasolina mas a capacidade de protesto contra aqueles em quem confiaram e que os trairam.  É que o Scolari nunca prometeu nada, não foi votado por 2.588.312 de portugueses e, agora, vai para o Chelsea com o dever cumprido: levou-nos a uma meia-final, a uma final e está a caminho de outro sucesso, comedido ou total.

Agora o sr. engº José de Sousa prometeu uma batelada de coisas (150 mil empregos, anulação do código laboral do Bagão Félix, Plano Tecnológico, etc.) e os 2.588.312 de portugueses que nele confiaram devem, pelo menos, pensar se ele cumpriu. E se, sendo indicado pelo PS, em que votaram, para ser PM, o sabe ser.

Era muito importante fixar isto: 2 588 312 portugueses são responsáveis pelo que passam os restantes 10 617 575 (portugueses e estrangeiros que cá vivem). Isto é, um quinto da população residente é responsável pelo que passa os outros quatro quintos.

Ora, ainda acha que a abstenção é opção? Isto é, ainda acha que, no meio desta crise filha da puta, com o petróleo a cento e croa, os cereais a subir, 200 mil pessoas na rua a protestar, camionistas passados a abrandar o País, lei laboral revista para pior, o Alegre no comício do Bloco, descida da natalidade - e da sua reforma... AInda acha que deve entregar outra vez o seu voto aos 2 588 312 que decidiram por si em 2005?

Ou aos cento e tal que chuparam aqui as bombas do Areeiro e das Olaias anda hoje, mesmo sem precisar de gasolina?

Hum?

2 588 312?

Hum?


«Lesbos, terceira maior ilha grega, com 90 mil habitantes, está na origem do termo lésbica, que designa as mulheres lá nascidas e as que assumem a sua homossexualidade. Entre as primeiras, e respectivos familiares, há quem não goste da partilha. O duelo de significados segue amanhã num tribunal de Atenas: Grupo de residentes na ilha grega de Lesbos leva lésbicas a tribunal».


A crise não está apenas instalada em Portugal. Em Madrid o mercado imobiliário está de tal forma parado que algumas pessoas entraram em desespero. Miguel Marina, um madrileno que se viu de repente no desemprego, ficou sem dinheiro para pagar a hipoteca da casa. Tentou vendê-la, mas sem sucesso. Depois de noites sem dormir, pressionado pelo banco para pagar, teve uma ideia no mínimo original: decidiu rifar a casa. Criou um sorteio com 64000 rifas a cinco euros cada. Miguel fica com a hipoteca paga e o problema resolvido. Por cinco euros qualquer pessoa pode comprar uma rifa e habilitar-se a ganhar um apartamento de 77 metros quadrados com garagem! As imobiliárias que se cuidem! Se isto pega…

"Por cinco euros tú puedes tener un piso y yo puedo recuperar el sueño."


Caracol, caracol

Que gosta de trincar o que está mole?
Quem com palito mata com
Palito morre
Descansa em paz e longe, caracol

Órgãos que não se vêm
Piripiri que não disfarça teu sabor
Por ti não morro de amor, caracol

Na tasca, tasquinha ou café
Prefiro ficar cá fora e de pé
A ver teu corpo humilhado
Por um colestrólico refogado

Bicho inútil
Caracol, caracol
Porque não te extingues

Caracol, caracol?

De Eustáquio Pinho Júnior, in Quando Chega o Verão Começam as Atrocidades, Carenque, 1992
elas rôbar e drôgar!